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Da Janela de Lisboa

17 de set. de 2025
7 min de leitura

Voltei! Escrevo agora da minha janela em Lisboa, mas ainda com o coração cheio da travessia feita no Brasil para a RIW 2025 e o lançamento do meu livro "A Jornada do Protagonista - Janela Bússola e Vento".


Foram dias intensos que me lembraram de uma verdade incômoda: vivemos numa época em que falar de propósito virou moda, mas viver com propósito ainda é ato de coragem.


Mais de 250 dedicatórias escritas à mão, cada uma me lembrando que a vida é feita da qualidade das relações que cultivamos - conosco, com outras pessoas, com o mercado, com a sociedade e também com a natureza.


Entre fado e samba: decodificando as inteligências que impulsionam carreiras


Estar entre Portugal e Brasil me faz refletir diariamente sobre duas competências que se tornaram diferenciais competitivos essenciais no mundo corporativo: inteligência cultural e inteligência social.


Países que compartilham a mesma língua, mas expressam identidades profundamente distintas até na forma de usar as palavras, negociar, liderar e se relacionar.


  • A palavra "saudade" é o exemplo perfeito: no fado português, ela carrega melancolia, introspecção, uma pausa contemplativa. No samba brasileiro, ela pulsa com esperança, movimento, celebração da vida que continua.


Ambas estão certas. Ambas são poderosas. E aqui está a lição de carreira mais valiosa:


Inteligência Cultural não é apenas "saber idiomas" ou "conhecer costumes". É a capacidade de navegar entre diferentes códigos de comunicação, expectativas profissionais e estilos de liderança sem perder sua autenticidade.


Inteligência Social vai além do networking superficial. É ler as entrelinhas das dinâmicas de poder, adaptar sua comunicação ao contexto sem comprometer seus valores, e criar pontes onde outros veem abismos.


Profissionais que "dançam em ritmos distintos" têm 73% mais chances de serem promovidos em empresas multinacionais (Harvard Business Review, 2024). Aquilo que poderia ser motivo de chacota - as diferenças culturais - se torna sua maior fortaleza profissional.


Saber quando usar o "fado" (escuta profunda, reflexão estratégica) e quando usar o "samba" (energia, mobilização, inspiração) é superpoder essencial para líderes que querem construir carreiras resilientes num mundo plural.



Um momento histórico para o Brasil


Rio Innovation Week 2025 não foi apenas um evento - foi um movimento. Com 205 mil participantes, consolidou-se como a maior conferência global de inovação e tecnologia, provando que o Brasil está faminto por transformação.


E a revolução está apenas começando: a Innovation Week ampliará seu território. Em 2026, além do Rio de Janeiro em agosto, estaremos em São Paulo em maio. Dois epicentros de inovação, duas oportunidades de transformar o país em laboratório global de soluções regenerativas.


E não é coincidência que isso aconteça no mesmo ano da COP 30 em Belém. Estamos vivendo um momento único: o país que abriga a maior floresta tropical do mundo também está se tornando laboratório global de culturas conscientes e inovação com propósito.


A pergunta não é mais SE vamos liderar essa revolução, mas COMO faremos isso.



No palco Humanare: onde inovação encontra impacto socioambiental


No palco Humanare, dentro da trilha de impacto socioambiental do evento, vivi a potência de criar um campo seguro para que pessoas com pontos de partida diferentes pudessem se encontrar e compartilhar suas de trajetórias, perspectivas e conhecimentos.


A inovação não acontece apenas nos laboratórios de tecnologia, mas no encontro entre as necessidades futuras, a sabedoria ancestral, os algoritmos e o propósito humano com sua diversidade e interseccionalidade.


Tive o privilégio de testemunhar algo raro: uma instituição bicentenária que não se acomoda na tradição, mas a usa como trampolim para o futuro.



O Banco do Brasil, uma das instituições mais sérias e amadas do país, assumiu o naming do palco Humanare. Não foi apenas um selo ou marketing institucional e sim um compromisso público.


Ter a marca embaixadora de três movimentos do Pacto Global da ONU no Brasil - Elas Lideram 2030 (relacionado ao ODS 5 - Igualdade de Gênero), Raça é Prioridade (focado na equidade racial) e Salário Digno (trabalho decente e crescimento econômico - ODS 8) não poderia ser mais coerente e sinérgico.


Tecnologia ancestral: a inovação que o futuro precisa


Em meio a tantas discussões sobre IA, blockchain e metaverso, uma reflexão me tocou profundamente: e se a inovação mais revolucionária não estivesse no que ainda vamos criar, mas no que já sabemos há milênios?

Tecnologia ancestral é sabedoria aplicada. É entender que:


  • Permacultura é tecnologia de regeneração de ecossistemas

  • Medicina integrativa é tecnologia de cura holística

  • Economia circular é tecnologia indígena de não-desperdício 

  • Liderança colaborativa é tecnologia ancestral de governança


Os futuros possíveis que mais me inspiram a tecnologia não substitui o humano, mas onde ela amplifica nossa capacidade de cuidar, conectar e regenerar.


Meu trabalho transborda e significa meu caminhar...


Quando o trabalho ultrapassa o patamar de atender às necessidades básicas e ao pequeno ego, o nosso fazer no mundo ganha uma dimensão muito maior do que a nossa própria existência.


É por isso que se torna cada vez mais essencial o "match" entre valores individuais, coletivos e organizacionais.


Sem essa coerência, qualquer discurso sobre propósito e impacto social se esvazia.

São muitos modelos metodológicos que abarcam uma visão mais integral de cultura corporativa, sou muito fã dos níveis de consciência de Richard Barrett.


As lições de Barrett: cultura organizacional como DNA evolutivo


Os 7 níveis de consciência nos mostram que organizações, assim como seres humanos, evoluem através de estágios de maturidade:


  • Níveis 1-3 (Sobrevivência): Foco em estabilidade financeira, relacionamentos e performance - onde a maioria das empresas ainda está presa

  • Nível 4 (Transformação): O ponto de virada onde a organização questiona seu propósito e impacto real no mundo

  • Níveis 5-7 (Autorrealização): Coesão interna, fazer a diferença e servir à humanidade - o território das culturas conscientes


A verdadeira cultura consciente nasce quando organizações transcendem a obsessão pela sobrevivência e abraçam a missão de contribuir para algo maior que elas mesmas. 


Culturas conscientes: a evolução necessária


Enquanto sustentabilidade busca "não causar dano", culturas conscientes vão além: elas curam, renovam e criam valor exponencial para todos os stakeholders - incluindo as futuras gerações.


Uma cultura consciente é regenerativa para:


  • Pessoas: Desenvolve potencial humano integral, não apenas competências técnicas

  • Comunidades: Cria impacto positivo sistêmico no entorno 

  • Ecossistemas: Contribui ativamente para a saúde planetária 

  • Propósitos: Conecta trabalho individual com significado transcendente coletivo


É a diferença entre uma empresa que "faz menos mal" e uma que "faz mais bem" - e essa diferença nunca foi tão urgente.


Dados que validam nossa caminhada


  • Relatório Global de Sustentabilidade (2025): Empresas conscientes cresceram 340% em investimentos nos últimos 2 anos

  • LinkedIn Brasil (2025): 67% dos profissionais consideram deixar empregos que não alinham com seus valores

  • Deloitte (2024): 79% das lideranças afirmam que alinhar valores individuais e organizacionais é um fator crítico de retenção de talentos

  • McKinsey (2023): O Relatório Global de DEI mostrou que empresas com equipes mais diversas têm até 39% mais chances de superar a concorrência em lucratividade


Provocações que ficam na minha janela (e espero que cheguem à sua também):


Entre 205 mil participantes da RIW: Quantos saíram transformados? Quantos voltaram como agentes de mudança consciente?


Com a expansão para São Paulo em maio de 2026: Como podemos multiplicar o impacto transformador em dois epicentros de inovação?


Inovação e tecnologia: Estamos criando soluções que amplificam nossa humanidade ou que a substituem?


Tecnologia ancestral: Como podemos integrar sabedorias milenares com inovações disruptivas?


Com a COP 30 em solo brasileiro, estamos numa posição única: seremos protagonistas ou coadjuvantes na construção de futuros possíveis conscientes?


Vivemos um momento único na história: a maior conferência global de inovação e tecnologia em solo brasileiro, que em 2026 se expandirá para São Paulo, a COP 30 em Belém, e uma geração de líderes que não aceita mais o status quo extrativista.


A liderança não pode mais ser medida apenas pela performance, mas pela capacidade de criar relações significativas, alinhar valores e transformar impacto social em estratégia de negócio consciente.


Uma cultura consciente não acontece por acaso - ela é cultivada intencionalmente por líderes visionários que entendem que os futuros possíveis mais inspiradores estão na capacidade de regenerar, não apenas de extrair.


Gratidão que transborda


Nada disso seria possível sem um time extraordinário que fez acontecer com maestria e amor: Adriana Carrilho Barbosa Lima, Flávia Goffi 🏳️🌈, Erick Barbi, Gabriel Gussate 🏳️🌈, Thayna Ulli Rodrigues, Wanessa Saltoris, ✍🏼Ana Palu💡 Edupulses e Crialuz - vocês são a prova viva de que grandes realizações nascem de grandes parcerias.


E ao time do Rio Innovation Week que nos acolheu e suportou com amor e parceria:Luciana Potsch, Lilly Clark, Mariana Loureiro Jéssica Duarte de Toledo - obrigada por criarem um espaço onde futuros possíveis se tornam realidade e por expandirem essa revolução para novos territórios.


Para fechar esta janela (que nunca se fecha de verdade):


Como realmente evoluímos em equidade de gênero no Brasil?


Até que ponto a saúde já tem sido tratada de maneira integral nas estratégias de gestão de pessoas?


A pauta de Diversidade, Equidade e Inclusão avançou ou sofreu retrocessos em 2025? E quais consequências veremos a médio e longo prazo?


Quantas empresas brasileiras estão nascendo com um propósito de impacto social, além de casos inspiradores como a Dengo Chocolates?


Como podemos transformar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU em estratégia de negócio, especialmente em temas como redução das desigualdades, igualdade étnico-racial, trabalho digno, equidade de gênero, saúde e educação?


Você está desenvolvendo inteligência cultural e social ou ainda está preso em um único "ritmo" profissional?


E você, da sua janela, o que está enxergando sobre os futuros possíveis conscientes que deseja ajudar a construir?


"Quando alinhamos quem somos, com o que fazemos e para quê fazemos, o trabalho deixa de ser obrigação e vira legado. E toda revolução consciente começa com uma pessoa disposta a dar o primeiro passo corajoso."

Se não nós, quem? Se não agora, quando?


Com carinho,

Dri Schneider

 
 
 

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